Barragem do rio Grande da Pipa
Março 1, 2008
A Comissão pró Barragem do Rio Grande da Pipa fez a terceira tentativa para se reunir e mais uma vez não o conseguiu, pois, no passado dia 12 de Maio, na Junta de Freguesia dos Cadafais, não compareceu o número mínimo de proprietários exigido pelo Ministério da Agricultura para que a “Junta de Agricultores Rio Grande da Pipa” fosse reconhecida, o que pressupõe que os agricultores não estão muito convencidos dos benefícios que poderão vir a receber deste projecto.
Tem sido um processo difícil e envolto nalgum nevoeiro, pois é um projecto a “pensar” na melhoria de vida dos agricultores das freguesias dos Cadafais (183ha) e de Cachoeiras (427ha); e o espantoso é que aparentemente sem estes necessitarem dessa ajuda e sem a iniciativa ter partido deles; o processo foi iniciado no Município vizinho de Arruda dos Vinhos, de onde tem vindo toda a dinâmica. Tudo começou num anteprojecto apresentado numa Assembleia Municipal, para a construção da “maior albufeira do distrito de Lisboa”, no Rio Grande da Pipa, numa zona de confluência dos concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos e Vila Franca de Xira. Orçada em 6 milhões de euros e já aprovada pelo Ministério da Agricultura.
O “Projecto” ainda não está pronto, nem é visível quando, portanto não há Estudo de Impacte Ambiental; o que há é um estudo de viabilidade ambiental e económica, que não é a mesma coisa. Tudo sem considerar a construção da A!0, do IC11 e do corredor para o futuro aeroporto da Ota.
Apesar disso a “Comissão” já definiu o perímetro de rega, inicialmente de 800 hectares e agora estabilizado nos 610 hectares, e já preparou a documentação para a legalização da “Junta”. E isto tudo perante a total indiferença dos proprietários, os prováveis futuros titulares da Junta, a quem ainda ninguém informou qual o preço que irão pagar por cada litro de água de rega.
Os municípios de Alenquer e de Vila Franca de Xira ocupam 80 por cento da área afectada, e é elucidativo o facto de não se ver algum interesse por parte de qualquer um deles para este projecto, que os promotores dizem tanto ir beneficiar os seus agricultores. Inclusive é intenção do Municio de Alenquer construir, numa parte da zona afectada ao perímetro de rega, um parque urbano, com uma zona verde, onde se incluirão piscinas e o campo de futebol da ADC.
É neste vale que está a melhor uva de mesa do país e não se conhece nenhum estudo que identifique os impactes criados na cultura da vinha, pelas alterações introduzidas pela barragem. No entanto é curiosa a afirmação do presidente da Cooperativa Agrícola de Arruda, Luís Alenquer, de que se desconhece qualquer estudo mas que “os efeitos positivos serão sempre superiores aos negativos”. Esclarecedor.
Fala-se, à boca cheia, que afinal é mais um projecto virado para o turismo e para beneficiar o Município de Arruda do que propriamente para ajudar os agricultores daquele vale de Cadafais/Cachoeiras, e que estes aparecem nele como uma necessidade pois é a única maneira dos promotores captarem os fundos comunitários (Agricultura), visto que através do “Turismo” essa hipótese está fora de causa.
A albufeira, com uma área inundada de 42 hectares, irá ficar situada, na sua totalidade, no Município de Arruda dos Vinhos e oferecerá boas condições para a instalação de projectos imobiliários, de campos de golfe e até, calcule-se, de pistas para corridas de motonáutica.
FOnte: http://www.jornalalenquer.com/noticia.asp?idEdicao=51&id=1749&idSeccao=423&Action=noticia



Agosto 28, 2008 at 21:42
Este trabalho já data de 25-06-2005
- Ambiente:
- Gato escondido com o rabo de fora
- Barragem do rio Grande da Pipa
Posteriormente houve um outro, de 07-07-2005, relativo à sexta reunião.
- Ambiente:
- Luís Alenquer foi o Coveiro
- Certidão de Óbito para a Barragem do Rio Grande da Pipa
Excertos:
“Lembramos que dos 54 agricultores inicialmente inseridos no perímetro de rega teriam que estar presentes 28 para que fosse possível a elaboração de uma acta, e a partir desta a legalização da “Junta de Agricultores do Rio Grande da Pipa”. Na reunião de hoje, a sexta, estiveram presentes quatro agricultores, e nenhum se pronunciou favorável ao projecto.”
“O primeiro que falou, MGC, apresentou o seu descontentamento por poder ser ali visto como um intruso; e afinal era só um dos agricultores da área alagada, que se mostrou bastante desagradado pela sua propriedade ter sido invadida por técnicos topográficos, a colocarem estacas, sem a sua autorização. E que ninguém o consultou a saber se concordava ou não com a construção da barragem, e muito menos se a sua propriedade poderia fazer parte dela.”
“Este proprietário, de agricultura biológica, mostrou-se bastante desfavorável à construção da barragem e alertou que ela iria alagar a zona do melhor vinho do concelho de Arruda.”
“… parece real que há umas pessoas com muita imaginação, que se situam na vila de Arruda, ou nos seus arredores, que lideram este processo; que o mistificam, que o transformam e que lhe dão uma feição que não é a verdadeira”.
“Eu questiono se vale a pena riscar do mapa 42 hectares do melhor vinho da região de Arruda para contentar meia dúzia de pessoas muito interessadas em projectos na área do turismo, e motonáuticas, etc., etc.”
“Este não é um projecto que vise melhorar a agricultura daqui. Isto é grave; isto é uma vergonha. Este é um caso que deveria merecer um tratamento policial”.
“JLC, outro agricultor desconte, também falou. “Meteram-me uma escavadora numa terra por ali acima, sem me dizerem nada, sem eu saber de nada. Estragaram-me uma quantidade de cepas, arrancaram uma espia, e depois saíram pelo outro lado. E ainda me trataram mal quanto reclamei. Não estou nada contente com isto; sou um homem de 72 anos e não permito que me tratem assim. Não dei a propriedade nem a pus à venda”.
“Já com duas horas de debate, José Manuel Laíns, presidente da Junta de Freguesia de Cadafais propôs que na acta desta reunião constasse o seu “veemente protesto” pela ausência de Luís Alenquer (alguns aplausos na sala), pois foi ele que solicitou à Junta a cedência da sala para esta reunião, e não está presente…”
“Nesse preciso momento o engenheiro Luís Alenquer entrou na sala, visivelmente incomodado, julgamos mesmo já derrotado, pois deveria de estar avisado do número de agricultores presentes e do andamento da reunião…”
“Começou por não concordar com a presença de pessoas fora do grupo dos 54 ”beneficiários”, o que levantou, de imediato, protestos na sala; uma das pessoas supostamente visadas, um agricultor da zona alagada, reagiu assim: “andamos para aqui sem saber nada pois vocês nada informam”. Luís Alenquer esclareceu qual a causa da “selectividade” dos convites: “não convidamos mais pessoas porque poderiam não concordar connosco”.
“Sem dar permissão a que alguém da plateia falasse, e num monólogo aborrecido e intimidatório, lá foi debitando, quase aos gritos, de que “quando falo mais alto é porque tenho razão”, “não sou um sonhador, mas quando acredito vou até à última”, “já tive seis reuniões e esta é a última”, “já estou cansado com isto”, “não ganho nada com isto”, “espero que as pessoas não se arrependam”, “não quero que as pessoas pensem que sou só eu que quero que a barragem avance”, “se as pessoas interessadas não aparecem, eu desmarco-me disto, saio disto”, “ninguém me pode apontar nada”, ”não estou metido em projectos turísticos nem de barcos” e “sou muito bem intencionado.
Os 15 minutos que Luís Alenquer esteve presente na reunião, mais não serviram do que para confirmar que era ele, naturalmente, o coveiro do projecto.
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http://www.jornalalenquer.com/noticia.asp?idEdicao=51&id=1757&idSeccao=423&Action=noticia