Anta da Arruda
Fevereiro 7, 2008
Anta da Arruda
Distrito: Lisboa. Concelho: Arruda dos Vinhos. Freguesia: Arruda dos Vinhos. CMP: 390. Relevo: Chã aplanada. Altimetria: 100 m. Hidrografia: Rio Grande da Pipa. Geologia: Complexo argilo-margoso («camada da Abadia»).
Caracterização da ocupação: Monumento megalítico com câmara trapezoidal alongada, de forma que parece tratar-se de um monumento de câmara e corredor indiferenciado em planta. A câmara abre para nascente.
Comprimento máximo de 10 m com uma largura máxima de 5 m, do qual restam ainda doze esteios ao tempo dos Leisner. Todos os esteios são de grés micáceo ou de cimento calcário do Jurássico. Orientada a Este, foi implantada numa chã aplanada acima da cota 100, dominando o vale do Rio Grande da Pipa, a SW. Existiam dois monumentos megalíticos no local, o maior é o que está mais a Este.
O mais pequeno teria sido destruído pelos trabalhos de florestação. A Anta maior foi destruída há cerca de 25 anos, existia no Casal das Antas e foi escavada por J. L. Vasconcelos, em 28 e 29 de Outubro de 1898. Cronologia: Neo/Calcolítico. Bibliografia: Leisner, 1965, p. 17-8; Spindler, 1981, p. 224, 254; Simões, 1994; Gonçalves, 1995c. Natureza da informação: Bibliografia. Perspectiva global dos materiais arqueológicos: Segundo Vasconcelos (apud Gonçalves, 1995c): 2 lâminas de sílex; 2 punhais de sílex; núcleo de cristal de rocha; 1 conta de colar de pedra verde; 4 fragmentos de cilindros calcários; 1 fragmento de placa de xisto decorada; 1 machado de diorite; 2 instrumentos feitos de diorite;1 instrumento; 1 goiva, talvez, de xisto; diversas lascas de sílex e duas lascas de diorite; fragmentos de uma mó ou amolador de calcário; um calhau rolado; 2 fragmentos de cerâmica (um dos quais com decoração); ossos humanos;ossos animais.
Fonte: ???
Trabalhos de acompanhamento arqueológico A10 Bucelas / Carregado (Trecho 1 – Arruda dos Vinhos IC11)
Outubro 1, 2004
Os trabalhos de acompanhamento arqueológico ao nível das intervenções mecânicas efectuadas no âmbito do Projecto de Construção A10 – Bucelas/Carregado (A1) Sublanço Arruda dos Vinhos / Carregado (A1) – Trecho I – Arruda – dos Vinhos / IC11, a cargo da concessionária Brisa. Enquadram-se no conjunto de medidas de minimização dos impactes negativos, preconizado no Estudo de Impacte Ambiental.
Os trabalhos decorreram entre os dias 21 de Maio e 24 de Setembro de2004.
O trecho da obra em questão abrange os concelhos de Arruda dos Vinhos e Vila Franca de Xira, pertencentes ao distrito de Lisboa e às freguesias de Arruda dos Vinhos e Cachoeiras. Desenvolve-se na vertente de dois vales diferenciados: um que é atravessado pela Ribeira Grande da Pipa, situando-se a obra na encosta a Norte deste vale, e outro situado da Ribeira de S. Sebastião.
Os trabalhos arqueológicos iniciaram-se com o acompanhamento das desmatações e consequentes decapagens, atingindo profundidades não superiores a 2m. No decorrer destes trabalhos identificaram-se inúmeros fragmentos de cerâmica, muito rolados e fragmentados, de provável cronologia moderna / contemporânea, dispersos e sem qualquer tipo de contextualização.
Foram identificados três sítios não inventariados no E.I.A.:
1. Casal das Antas de Baixo (vestígios da existência de um monumento megalítico de cariz funerário – Anta – já escavado e destruído), foram identificados um conjunto de materiais que se encontravam, numa pequena elevação delimitada por pedras, num curto espaço de terreno:
- 4 fragmentos de placa de xisto, que se apresentam decorados com triângulos com o vértice para cima, sendo que três deles encaixam entre si;
- 2 fragmentos de osso;
- 2 lascas e 2 fragmentos de lâminas em sílex;
- 11 fragmentos de cerâmicas pré-histórica (de entre os quais um bordo)
2. Casal da Raposa I – identificaram-se alguns materiais líticos, na sua maioria, lascas e núcleos em sílex, provavelmente resultado de um processo de escorrência a partir do terreno que se encontra imediatamente a sul deste local, numa zona de vinha a uma cota mais elevada fora da estação de expropriação da obra. Nesta área de vinha foram identificados alguns fragmentos de cerâmica pré-histórica e materiais líticos sobre sílex e quartzito (lascas e núcleos, fragmentos de lâminas e lamelas de secção triangular e trapezoidal e uma ponta de seta fragmentada).
3. Casal da Raposa II – identificaram-se um grande número de materiais líticos, na sua grande maioria utensílios em sílex sobre lamela e lâmina, de secção triangular e trapezoidal, assim como algumas lascas e núcleos. O facto de se encontrarem dispersos numa área considerável em termos de extensão leva a supor que também eles sejam materiais fruto de escorrência.
Dando continuação ao preconizado no E.I.A., foram efectuadas a relocalização e registo fotográfico dos elementos de cariz patrimonial a serem afectados directamente pela obra.


