Campanha “Salve uma pintura antiga”
Setembro 17, 2007
A Câmara Municipal lançou uma campanha de angariação de fundos para restaurar pintura antiga da Lourinhã. São 31 quadros a necessitar de uma intervenção urgente de restauro. Como parceiros da autarquia encontram-se a Santa Casa da Misericórdia, possuidora da maioria das obras, a Paróquia da Lourinhã, a Confraria de N. S.ª dos Anjos e o Museu do GEAL.
A inventariação das pinturas foi feita pela historiadora de arte, Sandra Boavida (do concelho da Lourinhã), assim como o levantamento dos custos de restauro que ascendem a 88.541,75 Euros, obra a ser executada pelo Instituto José de Figueiredo.
De facto, a Lourinhã tem um dos maiores espólios de pintura antiga, se exceptuarmos a dos museus nacionais. São trabalhos dos seguintes pintores: Mestre da Lourinhã, Lourenço de Salzedo, Diogo Teixeira, Mestre da Arruda, Josefa de Óbidos e de seu pai, Baltasar Gomes Figueira.
A nossa escola tem vindo a proporcionar aos alunos visitas de estudo regulares a estes espaços, no âmbito dos programas curriculares e tem testemunhado a necessidade de algumas intervenções urgentes neste domínio, como se pode ver pelo estado da pintura de uma das capelas-oratórios (no muro da Quinta de St.ª Catarina).
Daí que queremos manifestar o nosso apreço por esta iniciativa de defesa e preservação do património. As instituições em causa não têm fundos suficientes, pelo que o nosso contributo é fundamental. Os donativos são entregues na tesouraria da Câmara Municipal e deles serão passados recibos para efeitos de IRS, no âmbito da Lei do Mecenato.
Fonte: http://historialourinha.blogspot.com/2007_04_01_archive.html
“Mestre de Arruda dos Vinhos”
Agosto 7, 2007
“Mais perto do meio do século a situação da pintura portuguesa tende a clarificar-se. Nos anos 40 desaparecem quase todos os grandes pintores com experiência manuelina – Jorge Afonso, que talvez à muito não pintasse já, morre em 1540, Cristovão de Figueiredo é referido pela última vez nesse mesmo ano, Gregório Lopes falecerá apenas em 1550, mas a última obra que lhe conhecemos é o conjunto de quadros feitos para o Conventinho de Valverde em 1544-45, Vasco Fernandes desaparece provavelmente neste último ano. Nesta conjuntura, e antes da entrada em cena dos bolseiros com experiência directa italiana, que só acontecerá por volta dos anos de 1560, Diogo de Contreiras assume-se como o mais importante pintor nacional em actividade, a par de um Garcia Fernandes que deve ter continuado a pintar, mas cuja última fase está pouco definida. A par dos mestres que fomos referindo aparecem outros cujo italianismo é cada vez mais desenvolto como o desconhecido pintor que conhecemos pelo nome de conveniência de “Mestre de Arruda dos Vinhos”, autor do desmembrado retábulo da Matriz dessa vila e de outras pinturas como um quadro do Hospital da Luz de Lisboa e o retábulo de Santa Cruz na Graciosa (Açores). Ainda dentro de uma evolução que podemos considerar como “interna” da pintura portuguesa, muito ligado ao estilo de Diogo de Contreiras, se bem que com inferior qualidade, e um uso de composições ainda filiadas nos modelos dos Mestres de Ferreirim, o Mestre de Arruda dos Vinhos caracteriza-se pelo tratamento plástico dos panejamentos colados aos corpos ou em pregas curvas criando linhas sinuosas e sensuais que demarcam as sombras com suavidade, o mesmo gosto pela utilização de arquitectura renascentista, um alteamento das figuras de primeiro plano, já fortemente maneirista e um colorido de forte sentido decorativo, ainda que algo limitado na paleta. “
Fonte : http://joaquimcaetano.wordpress.com/amor-fama-e-virtude/ao-modo-de-italia/


