Apesar de uma morte a lamentar, durante uma das duas Corridas de Touros marcadas, os seculares e tradicionais festejos em Honra de Nossa Senhora da Salvação voltaram a levar, durante nove dias, milhares de visitantes até arruda dos Vinhos. O concerto dos GNR, junto ao Pavilhão Desportivo do C.R.D.A., ajudou a afastar, por momentos, os traços da tragédia. Um concerto muito eléctrico já a antever o próximo álbum da banda portuense, como admitiu Rui Reininho ao Tinta Fresca.

Ricardo Jorge Silva (também conhecido por “Pitó”), assim se chamava o jovem de 23 anos, pertencente ao Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, e que, na passada sexta-feira, durante a tarde foi violentamente projectado pelo touro contra as tábuas. O embate foi de tal forma grave, que provocou grandes hemorragias internas, levando Ricardo Silva, de imediato, para o Hospital de Vila Franca, onde os médicos já pouco conseguiram fazer para o salvar. O jovem viria a falecer na madrugada de sábado.

Este trágico acidente é o primeiro caso mortal a registar nos 70 anos de história de actividade deste Grupo de Forcados. Os companheiros de “Pitó” fizeram, de imediato, diligências para realizar um funeral com homenagem pública, mas o Tribunal de Turno de Benavente não concedeu logo a dispensa da autópsia e o corpo de Ricardo Silva foi a enterrar somente na terça-feira passada (dia 19).

Para Gertrudes Cunha, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de arruda dos Vinhos, este acidente veio fazer com que a festa “acabasse por ficar manchada de tristeza. Estamos realmente muito aborrecidos, mas são prejuízos que não podemos evitar”, lamentou-se. Ainda assim, a autarca garantiu que a Câmara tudo fez “para não deixar morrer a alegria”. O concerto dado pela banda portuguesa GNR, já com 22 anos de existência, ajudou a amenizar a sensação de fatalidade que se instalou na vila, nos três últimos dias de Festa.

“Este ano, tentámos inaugurar um novo espaço de excelência nas Festas, com este espectáculo, que será ou não para repetir no futuro, e que veio substituir o tradicional ´Baile Fim de Festa´, que já não fazia muito sentido, porque não atraía muita gente”, explicou Cláudia Jaleco, do gabinete de comunicação da Câmara de arruda, acrescentando que “se assumia o último dia dos festejos como um dia morto”. Gertrudes Cunha considerou este espectáculo dos GNR como “a inauguração de um espaço que pretende dar aos Festejos e a arruda dos Vinhos a dignidade que eles merecem”. No geral, a vereadora achou mesmo que “as pessoas corresponderam positivamente àquilo que a autarquia esperava”.

É que a Câmara Municipal de arruda, com a colaboração da Paróquia, da AJAV (Associação de Jovens), do Rancho Folclórico Podas e Vindimas de arruda e de outras entidades do concelho (que ajudam, inclusive, a organizar as Corridas e Largadas de Touros), é “a principal impulsionadora e organizadora dos festejos, que acaba por investir quer em termos financeiros, quer em termos físicos e humanos”, assegurou Gertrudes Cunha.

Para o espectáculo de encerramento, os GNR “não foram, de todo, a primeira escolha. Pensámos primeiro nos Xutos e Pontapés e, depois, nos Clã, mas não podiam estar por motivos de agenda”, confirmou Cláudia Jaleco. “A escolha dos GNR deu-se porque achámos que seria do gosto não só de pessoas mais jovens, como de pessoas até meia idade”, disse aquela técnica de comunicação. E, de facto, apesar da pouca assistência, dos meninos “dread” aos papás trintões com filhos bébés ao colo, de tudo se viu no largo junto ao Polidesportivo. E os que não quiseram falhar, não deixaram que o dia se voltasse a confirmar como “morto”, até porque pagaram bilhete.

“Este foi um público muito simpático, atraente e muito bom”, confessou Rui Reininho, em exclusivo para o Tinta Fresca, no fim do espectáculo. Sobre os concertos dados em romarias, o vocalista admitiu que “até são agradáveis, porque somos um grupo de terreno e estes espectáculos são uma maneira de contactar com pessoas com quem, noutro tipo de concertos, não teríamos oportunidade de estar”.

O público de arruda pôde assim contar com os “velhos” temas da banda, que ao primiero acorde são actualizados na memória de todos: “Morte Súbita”, “Dunas”, foram alguns dos temas que fizeram vibrar os presentes, para além de “Asas Eléctricas”, o afamado tema do telefilme “Amo-te Teresa”. Contrariando a tendência maioritariamente “pop” do último álbum (“Popless”), o concerto dos GNR foi bastante eléctrico. É assim também que vai ser o próximo disco, já na forja: “Vai ser muito mais eléctrico e com muito mais rock”, prometeu o músico e compositor.

Dos festejos, constaram também uma Gincana Equestre, o I Concurso Hípico de arruda dos Vinhos, o 22º Festival de Folclore (com a presença do Rancho “As Trigueirinhas do Pisão/Pedroso” de Vila Nova de Gaia; o Grupo de Danças e Cantares dos Pioneiros de Vendas Novas; o Rancho Folclórico e Etnográfico de Ribeira de Fráguas de Rio Maior; o Rancho de Sopo de Cerveira/Minho; para além do Rancho Folclórico local), o espectáculo de música latino-americana com os “ConSabor” (no dia 13) e a 5ª Feira Taurina à Portuguesa. À parte, realizaram-se também duas mostras: uma de artesanato e outra intitulada “A Terra e o Homem”, que esteve patente ao público durante os festejos.

O acidente ocorrido na Corrida de Touros do dia 16, veio fazer com que a segunda Tourada, marcada para o dia seguinte, fosse, de imediato cancelada, assim como o 5º Concurso de Ganadarias, que foi adiado para Setembro. Ainda assim, com uma morte a lamentar, a edição deste ano destas seculares Festas, contaram com milhares de visitantes, mas “como não há bilheteiras e parques de estacionamento não temos maneira de contabilizar as pessoas e os carros”, disse Cláudia Jaleco.

Porém, no dia da procissão (dia 15), as ruas de arruda enchem por completo e o Largo da Câmara fica repleto. “A noite mais comprida do ano na arruda é a de 14 para 15 de Agosto. Há pessoas que não dormem”, pormenorizou ainda Cláudia Jaleco sobre estas Festas de cariz rural e eminentemente tauromáquico que chamam até à vila muitos populares dos concelhos ribatejanos e outros limítrofes, como Sobral de Monte Agraço, Alenquer e Torres Vedras.

Fonte: http://www.tintafresca.net/News/newsdetail.aspx?news=8eabb228-73b7-41c9-9eab-d4818a07ee9e&q=arruda

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