Os trabalhos de acompanhamento arqueológico ao nível das intervenções mecânicas efectuadas no âmbito do Projecto de Construção A10 – Bucelas/Carregado (A1) Sublanço Arruda dos Vinhos / Carregado (A1) – Trecho I – Arruda – dos Vinhos / IC11, a cargo da concessionária Brisa. Enquadram-se no conjunto de medidas de minimização dos impactes negativos, preconizado no Estudo de Impacte Ambiental.

Os trabalhos decorreram entre os dias 21 de Maio e 24 de Setembro de2004.

O trecho da obra em questão abrange os concelhos de Arruda dos Vinhos e Vila Franca de Xira, pertencentes ao distrito de Lisboa e às freguesias de Arruda dos Vinhos e Cachoeiras. Desenvolve-se na vertente de dois vales diferenciados: um que é atravessado pela Ribeira Grande da Pipa, situando-se a obra na encosta a Norte deste vale, e outro situado da Ribeira de S. Sebastião.

Os trabalhos arqueológicos iniciaram-se com o acompanhamento das desmatações e consequentes decapagens, atingindo profundidades não superiores a 2m. No decorrer destes trabalhos identificaram-se inúmeros fragmentos de cerâmica, muito rolados e fragmentados, de provável cronologia moderna / contemporânea, dispersos e sem qualquer tipo de contextualização.

Foram identificados três sítios não inventariados no E.I.A.:

1. Casal das Antas de Baixo (vestígios da existência de um monumento megalítico de cariz funerário – Anta – já escavado e destruído), foram identificados um conjunto de materiais que se encontravam, numa pequena elevação delimitada por pedras, num curto espaço de terreno:
– 4 fragmentos de placa de xisto, que se apresentam decorados com triângulos com o vértice para cima, sendo que três deles encaixam entre si;
– 2 fragmentos de osso;
– 2 lascas e 2 fragmentos de lâminas em sílex;
– 11 fragmentos de cerâmicas pré-histórica (de entre os quais um bordo)

2. Casal da Raposa I – identificaram-se alguns materiais líticos, na sua maioria, lascas e núcleos em sílex, provavelmente resultado de um processo de escorrência a partir do terreno que se encontra imediatamente a sul deste local, numa zona de vinha a uma cota mais elevada fora da estação de expropriação da obra. Nesta área de vinha foram identificados alguns fragmentos de cerâmica pré-histórica e materiais líticos sobre sílex e quartzito (lascas e núcleos, fragmentos de lâminas e lamelas de secção triangular e trapezoidal e uma ponta de seta fragmentada).

3. Casal da Raposa II – identificaram-se um grande número de materiais líticos, na sua grande maioria utensílios em sílex sobre lamela e lâmina, de secção triangular e trapezoidal, assim como algumas lascas e núcleos. O facto de se encontrarem dispersos numa área considerável em termos de extensão leva a supor que também eles sejam materiais fruto de escorrência.

Dando continuação ao preconizado no E.I.A., foram efectuadas a relocalização e registo fotográfico dos elementos de cariz patrimonial a serem afectados directamente pela obra.

Fonte: http://www.crivarque.com/pzoom.php?identif=166

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