Foram neste fim-de-semana (15/16 de Outubro) apurados os vencedores das classes PR – 750 e S – 850 do Campeonato Nacional de Motonáutica numa prova de duas mangas, em Alcácer do Sal.

Diogo Gonzaga Ribeiro, o jovem piloto de Arruda dos Vinhos de 16 anos, sagrou-se campeão nacional na categoria PR – 750 com um total de 1738 pontos. Diogo é descrito pelo Presidente da Federação Portuguesa de Motonáutica, Mário Gonzaga Ribeiro, seu tio, como “um continuador, tem muita intuição, é um piloto muito seguro e muito tranquilo na sua condução”. No final das provas, o vencedor revelou-se contente e não deixou de salientar que “a Motonáutica é um espectáculo”.

Alain Thiriat, o piloto de 17 anos do Algarve, mostrou-se à altura do desafio e embrenhou-se numa luta renhida pelo título, que lhe valeu o segundo lugar no campeonato. Mário Gonzaga Ribeiro define-o como um “jovem de grande craveira”.

Pedro Fortuna foi apurado campeão nacional da classe S – 850, ao reunir um total de 1500 pontos. Este foi o sexto título conquistado em catorze anos de participação no Campeonato Nacional por Pedro Fortuna, que ficou este ano em quarto lugar no Campeonato Mundial da modalidade. Do seu curículo constam ainda quatro títulos de campeão da Europa e o primeiro lugar do Campeonato Mundial. Em entrevista à Rádio Mirasado, o piloto afirmou ter “uma reacção boa, fiquei satisfeito, valeu o esforço que eu ao longo destes anos todos tenho vindo a fazer nesta modalidade e foi um esforço que tornei realidade ao fim ao cabo. Foi muito trabalho e sinto-me bem e satisfeito comigo próprio”. Quanto à competição em si, considera que “foi um campeonato bastante disputado entre mim e o Miguel Ribeiro (…). Foi hoje que se conseguiu decidir quem é que era o campeão nacional e pronto, calhou bem para mim, ganhei eu. O Luís Miguel Ribeiro fez o seu melhor, mas é um grande adversário, não há dúvida nenhuma”.

O vencedor da classe S –850 chamou a atenção para o facto deste ser um desporto em que é difícil participar “principalmente quando não há sponsors com valores elevados”. Este é um ponto fulcral também abordado pelo piloto alcacerense Vítor Gagueija. Aliás, Vítor Gagueija esteve parado um ano devido a esta questão: “Para manter uma embarcação destas nós temos que ter sempre um stock de peças sempre pronto a aplicar e então foi isso que me faltou: foi o apoio dos patrocinadores, porque se eu tivesse uns bons patrocínios, provavelmente iria andar nos três primeiros lugares”. Este ano, as provas de Alcácer não lhe correram de feição, devido a problemas mecânicos que o impediram de participar na segunda manga em disputa no Sado.

A última vez que o Campeonato de Motonáutica visitou Alcácer foi há dois anos. Este ano, o Presidente da Câmara, Rogério de Brito, procurou “trazer aqui uma prova que efectivamente atrai muita gente, promove a nossa terra e dá uma animação extraordinária ao rio”, o que proporcionou o regresso do torneio. Atendendo à animação das pessoas e dos estabelecimentos de restauração, Rogério de Brito espera que “para o futuro Alcácer do Sal passe a fazer parte do calendário do campeonato federado de motonáutica, porque (…) tudo isto é útil para a nossa terra”. O Presidente da Federação Portuguesa de Motonáutica, Mário Gonzaga Ribeiro, mostra-se receptivo a esta proposta e afirmou ainda à Rádio Mirasado que pretende “que as autarquias tirem o maior partido da motonáutica, porque entendemos que é um investimento na divulgação das potencialidades turísticas, neste caso concreto do rio, da beleza da cidade, do Castelo, toda esta zona ribeirinha e, como tal, eu entendo que é assim que a motonáutica deve fazer parceria: colaborando na divulgação das nossas belezas”.

Quanto ao balanço das provas, Mário Gonzaga Ribeiro classifica-o como “francamente positivo”. Esta era uma prova na qual a Federação estava particulamente interessada, não só por resultar na determinação dos vencedores, mas também pelos perigos que acarretava. “A prova é um percurso muito bonito, permite ao público uma visibilidade total que é sempre bom, mas é um percurso que é perigoso. Hoje, estes conjuntos já atingem velocidades que são muito grandes e esta ponte que é linda, que faz uma integração entre as duas margens, que, de facto, foi uma iniciativa que consideramos que veio embelezar toda esta estrutura virada para o rio, para uma corrida é muito perigoso – estes pilares são de facto factores de alto risco e que no ardor das corridas, no ardor de conseguir sempre melhor pode levar os pilotos a despistes ou a situações aparatosas(…). Por outro lado, o rio não é largo e a água quando se repercurte tem reacções no barcos, obriga a correcções, de maneira a que este conjunto de situações fizeram com que estivessemos muito apreensivos (…). A integridade física dos pilotos é para nós, dirigentes, o principal factor e aquilo que prioritariamente nos obriga nas provas a uma boa assistência, a termos meios de socorro rápidos, eficientes e preparados”.

Fonte: http://www.mirasado.pt/noticias.php?id=000349