“Vila e sede de concelho, Arruda dos Vinhos é centro de uma importante região vinícola. A freguesia do mesmo nome dista 36 quilómetros da cidade de Lisboa.

Não pode determinar-se com exactidão a data de fundação da vila de Arruda dos Vinhos. É pelo menos anterior à própria Nacionalidade, pois foi conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques, em 1160. Pertenceu Arruda ao Mestrado da Ordem de Santiago, e lá existiu um convento de freiras, doado em 1175 à referida Ordem a fim de ali se recolherem as mulheres dos freires leigos, quando se ausentavam a combater os mouros. Essas freiras, por esse facto, recebiam o nome de Comendadeiras de Santiago. Mais tarde foram transferidas para o convento de Santos-o-Velho, em Lisboa.

Em 1384, D. João de Castela resolveu repousar numa habitação da vila quando se dirigia a Lisboa com o intuito de conquistar a cidade e, seguidamente, dominar todo o País. Ao entrar, porém, no aposento que lhe haviam destinado para pernoitar, deparou com dois homens de espadas e punhais, escondidos debaixo da cama preparados para o aniquilar. Esta proeza heróica é-nos contada pelo próprio Fernão Lopes nas suas admiráveis crónicas.

As serras situadas ao sul e a oeste da vila de Arruda dos Vinhos fizeram parte das célebres Linhas de Torres, organizadas por Wellington. Ainda hoje há vestígios dessas fortificações, sendo as que mais perto se encontram da vila os redutos de S. Sebastião, Carvalha e Moinho do Céu.
A igreja matriz, reedificada de 1528 a 1531, apresenta poucos vestígios da traça original. Na fachada, muito simples, avultam o portal, manuelino, enquadrado por pilastras com elementos decorativos renascença, e a torre sineira, do século XVI. O interior é de três naves, sendo os arcos de volta perfeita e aresta chanfrada. As colunas têm o fuste curiosamente esculpido a meio com um anel decorativo e interessantes capitéis. A capela-mor, profunda e com abóbadas de berço, encontra-se ladeada por duas absidíolas com abóbadas de cruzaria. As naves, a capela-mor e uma outra pequena capela são revestidas de azulejos do século XVIII, onde se distinguem cenas da vida de S. Cristóvão e de S. Francisco. Guardam-se no templo um grande retábulo de talha barroca e algumas boas pinturas do meado do século XVI de um antigo retábulo.
À entrada da vila, do lado de Alhandra, encontra-se um chafariz de três bicas, datado de 1789 e decorado ao gosto barroco. Sob o frontão estão esculpidas em relevo as armas de Portugal. O conjunto é encimado por pináculos. Na entrada norte da vila existe um busto da escritora e pedagoga Irene Lisboa, uma das mais destacadas figuras do concelho de Arruda dos Vinhos.”

Fonte: http://www.distritosdeportugal.com/lisboa/arruda_dos_vinhos/index.htm

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