Foram três as gerações de toureiros que se encontram na praça de Arruda dos Vinhos no passado dia 1 de Abril, a cavalo tivemos Rui Fernandes, Manuel Telles Bastos, e Isabel Ramos, e a pé apresentaram-se os maestros José Júlio, Victor Mendes e o matador Pepín Leria, com Wilson Maçarico ‘Chamaco’ a prestar provas de novilheiro. A praça esteve quase cheia, para ver um bom cartel, mas que se depararam com um curro de toiros dificílimo e de má prestação.

A praça abriu com a actuação de Rui Fernandes, saiu o primeiro manso da tarde, que não transmitia nem permitia ao toureiro uma lide com o seu vistoso estilo. A ganadaria foi a de André Proença e o toiro permitiu bons ferros curtos, saídos de cites de pouca distância, mas de resto a cravagem não esteve melhor por falta de investida.

Ao jovem Manuel Telles Bastos coube o pior da tarde, pelo menos para as lides a cavalo. Foi um toiro da divisa de seu avô, Mestre David, que ganhou refúgio nas tábuas desde cedo, sem investida e que o obrigou o cavaleiro a uma lide em grande esforço. Telles Bastos procurou, por todos os meios, sacar ao toiro uma investida franca e continuada, mas foi impossível, a cravagem tomou lugar de forma pouco bonita, mas com mérito, junto às tábuas. Não se poderia ter feito melhor perante tal touro.

Já Isabel Ramos, que lidou um toiro Inácio Ramos, teve mais sorte, com o melhor da tarde para a lide a cavalo, embora não fosse o touro de sonho para uma cavaleira ainda inexperiente. Obrigou-a a um certo esforço, mas tinha mais investida. Foi com concentração que partiu para as suas sortes, com bons momentos na cravagem, apesar do toiro se adiantar.

Os Forcados do Clube Taurino Alenquerense estiveram bem nas três pegas, que não se mostraram particularmente difíceis, contudo, há que destacar um aparatoso ferimento do primeiro ajuda no toiro de Isabel Ramos, que teve de ser visto na enfermaria com um ferro cravado no peito que levantou o público mas que não teve danos de maior.

Quando o frio já se impunha, o toureio a pé tomou conta da tarde toiros e José Júlio teve o primeiro, da ganadaria de Dias Coutinho. Ver o Maestro tomar-se frente ao toiro foi sem dúvida um momento de emoção, pois a sua força de vontade perante um oponente difícil e traiçoeiro, com muito pé, foi determinante nesta lide. Logo no capote demonstrou que tinha pela frente um toiro com perigo, os seus 72 anos estavam imperceptíveis na garra que colocou nesta lide. Foi com a muleta que conseguiu vencer o seu adversário, sacando-o por ambos os pitons e conseguindo impressionar junto às tábuas onde o toiro de cinco anos se guardou.

Victor Mendes brindou o público com a sua habitual maestria perante o mais difícil dos toiros que saiu para a lide a pé, este da ganadaria de Nuno Casquinha. A sua boa forma e grande momento de toureio permitiram-lhe uma lide de poderio ante um toiro, com arremessos perigosos, instabilidade e sempre a procurar para lá do engano. No capote as verónicas e chicuelinas foram de difícil conclusão, o segundo tércio, onde se costuma destacar tanto, teve de ser resumido ao primeiro par, pois o toiro atravessava-se no pior momento. Sacou muletazos ao seu oponente de forma expressiva e por ambos pitons, mas sem poder descuidar-se pois depressa o touro encurtou as investidas e não permitiu uma lide de arte.

Quem teve o melhor foi Pepín Leria, que também lidou um Nuno Casquinha, recebido com bonitas verónicas e lidado com passes de peito. Para ‘Chamaco’, a tarde não teve a mesma sorte, pois o seu eral, também Nuno Casquinha, não lhe deu a confiança para uma boa lide.

Fonte: http://www.tourobravo.com/cronicas/2007/arrudadosvinhos1.html

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