“Mais perto do meio do século a situação da pintura portuguesa tende a clarificar-se. Nos anos 40 desaparecem quase todos os grandes pintores com experiência manuelina – Jorge Afonso, que talvez à muito não pintasse já, morre em 1540, Cristovão de Figueiredo é referido pela última vez nesse mesmo ano, Gregório Lopes falecerá apenas em 1550, mas a última obra que lhe conhecemos é o conjunto de quadros feitos para o Conventinho de Valverde em 1544-45, Vasco Fernandes desaparece provavelmente neste último ano. Nesta conjuntura, e antes da entrada em cena dos bolseiros com experiência directa italiana, que só acontecerá por volta dos anos de 1560, Diogo  de Contreiras assume-se como o mais importante pintor nacional em actividade, a par de um Garcia Fernandes que deve ter continuado a pintar, mas cuja última fase está pouco definida. A par dos mestres que fomos referindo aparecem outros cujo italianismo é cada vez mais desenvolto como o desconhecido pintor que conhecemos pelo nome de conveniência de “Mestre de Arruda dos Vinhos”, autor do desmembrado retábulo da Matriz dessa vila e de outras pinturas como um quadro do Hospital da Luz de Lisboa e o retábulo de Santa Cruz na Graciosa (Açores). Ainda dentro de uma evolução que podemos considerar como “interna” da pintura portuguesa,  muito ligado ao estilo de Diogo de Contreiras, se bem que com inferior qualidade, e um uso de composições ainda filiadas nos modelos dos Mestres de Ferreirim, o Mestre de Arruda dos Vinhos caracteriza-se pelo tratamento plástico dos panejamentos colados aos corpos ou em pregas curvas criando linhas sinuosas e sensuais que demarcam as sombras com suavidade, o mesmo gosto pela utilização de arquitectura renascentista, um alteamento das figuras de primeiro plano, já fortemente maneirista e um colorido de forte sentido decorativo, ainda que algo limitado na paleta. ”

Fonte : http://joaquimcaetano.wordpress.com/amor-fama-e-virtude/ao-modo-de-italia/

Anúncios