Sob o olhar do comum cidadão parecem todos iguais. Não passam de simples copos. Mas Nelson Félix garante que não. Aquele habitante de Arruda dos Vinhos conseguiu reunir, nos últimos quatro anos, cerca de 6500 copos, canecas e cálices na sua pequena habitação, associando cada modelo a uma história. O coleccionador guarda exemplares que vão desde o simples copo, para beber água, até aos mais elaborados, com desenhos ou dedicatórias gravadas no vidro por amigos. Com 31 anos, Nelson Félix anseia por expor a sua imensa colecção num museu e figurar como recordista no Livro dos Recordes Mundiais.

Na sala de estar, cozinha e corredor apenas o coleccionador pode tocar nos copos, colocados estrategicamente sobre estantes e prateleiras de vidro improvisadas, cujas necessidades foram ditando o seu aumento. “Sabe que tenho pesadelos que um dia me partam os copos todos? Ando sempre a avisar a malta amiga para verem por onde andam…”, admite Nelson Félix, que colabora no bar do complexo desportivo do Arrudense.

“Tudo começou quando a Sumol me ofereceu uma colecção de copos, a partir daí nunca mais parei. Há pessoas que chegam com copos de todo o lado para me dar”, refere, ladeado por dezenas de exemplares com imagens de jogadores do Sporting. Para constar como recordista, o coleccionador não pode comprar copos, apenas recebê-los como oferta. Quando lhe oferecem exemplares que já possui, aproveita para os utilizar como meio de troca com outros coleccionadores.

A mulher, Laura, e as filhas, Daniela e Ana, foram eleitas as guardiãs habilitadas de tamanha vidraria. E o receio de abalroar uma das prateleiras é um sentimento que trespassa qualquer um. “Ai, Jesus, cuidado”, alerta a Daniela, com apenas sete anos. “Veja lá se me parte isso que não sei que lhe faça”, atemoriza Nelson, pálido e com o suor a escorrer pela testa quando – inadvertidamente – tocámos numa ponta de uma estante, provocando um “ligeiro” abanão no museu improvisado. “Só parti um copo até hoje e já cheguei a meter gente na rua por fingir que parte isto”, adverte. Estivemos assim de sobreaviso e não nos levantámos da cadeira durante uma hora.

Preciosidades oferecidas

Nelson Félix recebe copos de todo o mundo. Os últimos chegaram da Holanda e as coqueluches são uns exemplares do Futebol Clube do Porto e três copos com a imagem do jogador benfiquista Fyssas. Parecem iguais, mas com recurso a uma lupa o coleccionador identifica pequenas pintas – imperceptíveis – que os distinguem. Um cálice de 1713 é a maior preciosidade na colecção e foi oferecido por um funcionário da Câmara de Arruda dos Vinhos, que o descobriu numa lixeira. Só recentemente se juntaram copos e canecas de imperial oriundos da Dinamarca, Luxemburgo e Alemanha, que estão pendurados no tecto da cozinha. A limpeza, apenas das prateleiras, leva três dias de trabalho, de manhã à noite. “Isto é a minha maior paixão e as miúdas (filhas) já a defendem como se fosse delas”, salienta o provável recordista.

Fonte: http://jn.sapo.pt/2007/09/10/pais/quer_entrar_guinness_os_seus_6500_co.html

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