“As analogias entre os adagiados português e espanhol são incontáveis, tal como as de outras tradições verbais, do romanceiro à literatura de cordel, onde às vezes é difícil saber quem imitou ou quem inventou – o que revela que as duas culturas nem sempre viraram as costas uma à outra, e nem sempre favoreceram o ponto de vista evidenciado no nosso  provérbio, cujo conteúdo anti-espanhol contrasta com ou na forma importada certamente de Espanha.

Em todo o caso correm em Portugal variantes proverbiais que transferem para terras portuguesas o odioso de Castela e de Espanha. Teófilo Braga transcreveu esta versão: “Da Arruda / Nem mulher / Nem mula; / Nem vento, / Nem casamento”; Pedro Chaves cita a variante: “De Esgueira”… (a terra aveirense hoje conhecida pelo seu basquetebol que o brasileiro Leonardo Mota converteu em nome comum); Maria de Sousa Carrusca cita a variante: “De Braga”17…; e Armando Côrtes-Rodrigues regista no seu Adagiado Popular Açoriano: “Do Nordeste / nem vento, nem casamento” (a que o prefaciador Carreiro da Costa acrescentou dois “bom” por sua conta).”

Fonte: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/2882.pdf

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