Uma delegação de empresários portugueses vai aproveitar a Feira Internacional de Macau (FIM) para uma primeira abordagem ao mercado asiático, na expectativa de começar a vender na China continental, disseram hoje em Pequim empresários do ramo alimentar.

“Vou à Feira de Macau para validar a minha percepção do mercado chinês e para ver no local os diversos agentes. Será um óptimo instrumento para aferir a validade deste mercado para nós”, disse à Agência Lusa a administradora da Equanto, empresa de produtos alimentares biológicos, Margarida Reis.

A empresária de Arruda dos Vinhos, que sonha exportar pastéis de nata biológicos para a China, quer aproveitar a Feira de Macau para criar uma lista de distribuidores chineses.

“Face à nossa dimensão só tem lógica apostar em produtos de muita qualidade para conseguirmos uma diferenciação”, considerou Margarida Reis.

A Minho Fumeiro, que comercializa enchidos artesanais de Ponte de Lima, tem este ano um expositor na FIM com o objectivo de “encontrar um nicho de possíveis clientes”, disse à Lusa o director-geral da empresa, António Paulino.

“Queremos aproveitar a ligação histórica de Macau com Portugal para vender os nossos produtos na grande China”, acrescentou.

Os trisavós de Paulino, que começaram o negócio, nunca pensaram vender os produtos tradicionais da empresa nos maiores estabelecimentos comerciais da China, mas o empresário quer pontos de venda nas metrópoles chinesas tal como em todas as capitais da Europa até 2009.

Para além de Macau, onde chega a 20 de Outubro, o grupo de 20 empresários de Portugal continental, Madeira e Açores vai desenvolver contactos e conhecer as mais famosas zonas comerciais das maiores cidades da China, como Pequim, Xangai, Cantão e Hong Kong.

Francisco Barcelos, administrador da Quinta dos Açores e da Açorcarnes, diz “ter a sensação de que a China tem falta de produtos lácteos e poderá ser eventualmente um comprador de carne de qualidade”, como a que diz produzir nas pastagens dos Açores.

“Não sei bem o que vou encontrar em Macau”, admitiu.

No entanto, acrescentou, quer aproveitar a FIM “para saber o que pedem os consumidores chineses” e apostar depois num produto que inspire confiança e venda nas grandes superfícies das grandes cidades da China.

João Catalão, administrador da consultora comercial SalesUp, que organizou a viagem dos empresários portugueses à China, considerou que o problema do tecido empresarial português é a “falta de mundo”.

“Os empresários portugueses não trabalham em rede, mas cada um para si, no seu ‘quintalinho’. Têm uma visão muito redutora dos negócios internacionais”, acrescentou.

Na 12ª edição da Feira Internacional de Macau, que decorre entre 18 e 21 de Outubro em 18 mil metros quadrados do Centro de Convenções do casino The Venetian, participam 44 empresas portuguesas, três das quais com sede em Macau, num total de 889 stands.

Nos primeiros oito meses de 2007, a exportação de produtos portugueses para Macau representou 9,3 milhões de euros, enquanto Portugal comprou pouco mais de 200 mil euros à Região Administrativa Especial da China.

A presença portuguesa na FIM aposta no sector dos vinhos e produtos alimentares como café, carne, peixe e enlatados, incluindo empresas de transporte com redes na região e associações empresariais.
    
AZL
Lusa/Fim

Fonte: http://www.lusa.pt/lusaweb/user/showitem?service=310&listid=NewsList310&listpage=1&docid=7603895

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