O povoamento do território que corresponde ao actual concelho de Arruda dos Vinhos é tido como bastante remoto, apesar de serem parcos os vestígios arqueológicos e toponímicos. Um dos topónimos mais importantes relativo ao povoamento primitivo desta região é o do lugar de Anta, referindo-se este nome à existência de uma edificação dolménica, na altura da atribuição do topónimo. No que diz respeito ao topónimo principal do concelho, é composto por dois elementos, sendo que o primeiro deriva do latim ruta, “arruda”, com o prefixo árabe al; já segundo elemento, refere-se à abundância de vinhas na região.

A primeira referência escrita relativa a Arruda dos Vinhos data de 1172, constando no documento de doação de D. Afonso Henrique de “Arruta” à Ordem de Santiago. No entanto, essa doação parece não ter sortido efeito, visto que D. Sancho I a repetiu, sem qualquer alusão ao igual acto de seu pai. Esta doação de D. Sancho foi feita a 26 de Outubro de 1185, citando-se expressamente o castelo, o que mostra ter sido Arruda uma praça forte. Anteriormente, havia D. Afonso Henriques concedido foral a Arruda dos Vinhos (1160) que mais tarde foi renovado por D. Manuel (1517).

Uma das particularidades mais notáveis dos tempos afonsinos de Arruda, concerne ao sítio que então se chamava Vilar, onde foi fundado uma espécie de Mosteiro de “freiras” da Ordem donatária, isto é, donas afiliadas à Ordem de Santiago, tendo a dona que exercia a função de superiora, o título de “comendadeira”. Em 1255 já não se encontravam nesse local pois nesse ano o Mestre da Ordem, D. Paio Peres Correia e o comendador de Mértola, D. Gonçalo Peres, doam a Estêvão Mendes o lugar de Vilar onde haviam habitado as freiras. Segundo consta, essas “freiras” de Santiago do Vilar partiram, no reinado de D. Sancho I, para Lisboa, depois de construído por esse rei o Mosteiro de Santos-o-Velho e mais tarde, no reinado de D. João II, passaram para Santos-Novos, sendo conhecidas como comendadeiras de Santos.

Eclesiasticamente, a paróquia de Santa Maria de Arruda remonta ao século XII, ou pelo menos aos princípios do século XIII, mas certamente antes do senhorio da vila pela Ordem de Santiago dado que o padroado lhe escapou, sendo da apresentação dos cónegos regrantes de Santo Agostinho do Mosteiro de S. Vicente de Fora, vigararia que depois passou a priorado.

A vila permaneceu na posse da Ordem de Santiago até meados do século XVI. Depois foi doada ao primeiro Duque de Aveiro, em cuja sucessão se manteve a sua donataria até 1759, data em que foi extinta essa casa titular. Passou então à posse da coroa, situação em que se encontrava ainda no final do Antigo Regime. Era nessa época vila da província da Estremadura, diocese de Lisboa, comarca do Ribatejo e provedoria de Torres e tinha juiz ordinário.

Em 1855, sendo extinto o concelho de Sobral de Monte Agraço foram anexas as freguesias deste ao concelho de Arruda dos Vinhos. Em 1887 a sede de concelho foi transferida para o Sobral, o que provocou desavenças entre as duas vilas, com agressões aos comerciantes que iam de uma à outra fazer negócio. Esse conflito manteve-se durante 3 anos e só foi resolvido com a formação de dois concelhos: Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço.

A 26 de Setembro de 1895, o concelho de Arruda dos Vinhos foi extinto, tendo sido anexado ao de Vila Franca de Xira; veio a ser restaurado a 13 de Janeiro de 1898, com as freguesias que tinha à data da eliminação, excepto a de Sapataria (que ficou integrada em Sobral de Monte Agraço).

Fonte: http://portugal.veraki.pt/concelhos/concelhos.php?idconc=279&op=HI&gr=CO

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