«Estende-se a zona de guerra portuguesa do Mondego para o sul e, nela, balisam sua pri¬meira linha de resistência os castelos de Leiria, Ourem, Cera, Seia e Celorico, o terceiro dos quais hoje destruido, duas léguas ao norte da actual Tomar. A frente, como postos destacados de vigilância estratégica, parece erguerem-se já sobre o Tejo Médio, num sector de 10 quilómetros, os três pequenos castelos de Cardiga (senão, talvez na Atalaia), de Almourol e de Zezere, este ultimo, a cavaleiro da foz do mesmo rio e em frente do local onde depois se levantará Cons¬tância. Figuram esses castelos saliente agudo da cobertura estratégica de Afonso Henriques, apontando sobre o Alentejo. Facto interessante ê incluir este saliente dois vaus do Tejo, um, a leste, o da Praia, outro a oeste, o da Barquinha. Separado do primeiro pelo pego do Almou¬rol, comunica o segundo com o mouchão entre o Tejo e a estreita vala do Tejo Velho, vinda do Arrepiado. Desempenha, por seu turno, ao Norte, o Baixo Mondego natural missão de base de operações. Desta descem, para o front da época, duas linhas de comunicações apoiadas em luga¬res fortes e isoladas, uma da outra, de Condeixa para o Sul, por extensa cadeia montanhosa: a leste, a de Coimbra — Alfafar (l.a étape da expedição a Santarém em 1147) — Chão de Ourique (a 5 quilómetros de Penela — Ladeira — Ceras (a l quilómetro de Alviubeira — Alfeigedoe (Assei-ceira (?), direita ao Tejo Médio, evidente frente ofensiva; a oeste, por Coimbra — Alfarelos, (no limite sul da várzea do Mondego, conhecida por Campo de Ourique)—Vila Nova deAncos—Soure — Pombal, terminando em Leiria, próximo do Campo de Ourique das Cortes e centro provável da frente defensiva. Entre as duas frentes, como posto de ligação, está Ourem, a iguais distancias de Leiria e Cera. Visto de relance, o esquema estratégico português, observemos agora o sis¬tema defensivo mouro na peninsula entre o Tejo e o mar: duas linhas de fortalezas cobrem Lisboa: a primeira Santarém — Óbidos, tendo á frente em postos destacados Torres Novas, e, segundo cremos, Alfeihirão, a segunda — Alenquer — Torres Vedras, com Arruda e Sintra á rectanguarda ».

Fonte: REVISTA  DE ESTUDOS  HISTÓRICOS, 1928(?), Página 112

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