0 ‘Búzio’ do Agostinho foi usado no sábado para encerrar a cerimónia de inauguração do passeio ribeirinho que corre ao lado do rio Tejo entre Alhandra e Vila Franca. Trajado a rigor, Joaquim Agostinho, encheu os pulmões de ar para dar vida ao instrumento que noutros tempos serviu para avisar os barcos da presença do nevoeiro e outras condições adversas à faina no rio ou no mar. O búzio também foi usado nos campos da lezíria e nos mouchões pelo capataz para chamar à atenção de algum trabalhador agrícola que no seu entender estava mais encostado.

“Não podíamos parar nem para respirar fundo”, lembra Maria Oliveira, antiga trabalhadora rural, hoje com 82 anos.

Longe do trabalho, em momentos de diversão, o búzio foi usado nas tradicionais ‘pulhas’, entoadas em tempo de Entrudo a partir das serras de Arcena e no Alto do Moinho de Vento, no Bom Sucesso, na freguesia de Alverca. “Eram actos de maldizer numa época de Carnaval onde ninguém leva a mal”, explica o instrumentista nascido em Arruda dos Vinhos que um dia foi adoptado por Alverca que já o distinguiu como cidadão de mérito.

O búzio foi a melhor herança deixada pelo avô António Pardalinho que lhe ensinou a arte de dar vida “à casca de calcário de onde se retira um filho do mar”.

Joaquim Agostinho tem tido a capacidade de adaptar as melodias às ocasiões e tanto usa a casaca do molusco nas melodias do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arcena, Alverca, como no seu grupo de música popular portuguesa. Já o usou no teatro e no acompanhamento da declamação de poemas. “É um instrumento para todas as ocasiões”, explica.

O ‘búzio do Agostinho’ já se estreou no Centro Cultural de Belém na apresentação do programa das comemorações dos 20 anos de carreira de Gonçalo da Câmara Pereira. “Foi um momento lindo”, conclui.

Fonte: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=360&id=47511&idSeccao=5321&Action=noticia

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