Seis municípios do distrito de Lisboa uniram esforços para recuperar as Linhas de Torres. O projecto orçado em dois milhões de euros e que ontem viu inaugurado o circuito da Enxara, no concelho de Mafra, visa preservar parte do sistema de fortificações militares construído entre 1809 e 1810, que teve por objectivo travar a terceira invasão francesa. O que viria a acontecer em Novembro de 1810, quando o marechal Massena renunciou a atacar e retirou, dirigindo-se para Santarém.

Das 152 estruturas militares construídas na época, restam 118. Destas, o projecto visa recuperar 30 até Dezembro de 2010. A iniciativa irá também abrir circuitos pedestres ao longo dos 85 quilómetros de fortificações, cuja eficácia bélica alcançada determinou o início do caminho ascendente do Duque de Wellington perante as tropas napoleónicas, que culminou com a vitória sobre Napoleão a 18 de Junho de 1815, na batalha de Waterloo.

O investimento do circuito da Enxara envolve a animação de réplica de um telégrafo semelhante ao existente na época. Um primeiro passo para explicar o complexo sistema de comunicações existente no século XIX que permitia a distribuição de informações desde o rio Tejo até ao Atlântico.

Com vista à preparação da comemoração do Bicentenário das Linhas de Torres, a realizar entre 2009 e 2010, terminou ontem o seminário ‘A Importância das Linhas de Torres na Europa’.

Numa obra de engenharia sem paralelo, erguer mais de uma centena de fortes levou a que 150 mil camponeses fossem chamados. Também cerca de 200 mil pessoas abandonaram as suas casas a norte das linhas, perante a investida dos franceses.

O efectivo militar criado foi também gigantesco: 25 mil milícias e 11 mil ordenanças portuguesas, oito mil espanhóis e 2500 fuzileiros ingleses. Como tropas regulares, Wellington dispunha de 34 mil ingleses e de 24 500 portugueses.

Estava criada uma máquina de guerra de mais de cem mil homens que à retirada francesa avançou para Espanha. A 27 de Julho de 1813, após a batalha dos Pirenéus, o duque de Welligton viria a chamar aos militares portugueses, pela sua coragem, “os meus galos de combate”. A 7 de Outubro era dada ordem para avançarem para França. É este património militar que seis concelhos querem manter vivo.

Segundo explicou Gertrudes Cunha, vereadora da Cultura da Câmara de Arruda dos Vinhos, o projecto Rota Histórica das Linhas de Torres “pretende trazer o desenvolvimento sustentado da região com a criação de uma rota turístico-cultural, militar, ambiental e de grande projecção internacional”. Arruda dos Vinhos, Vila Franca de Xira, Sobral de Monte Agraço, Mafra, Loures e Torres Vedras são os concelhos envolvidos.
LINHAS DE TORRES

Edificadas, a partir de 1809, por ordem do general Wellesley, as Linhas de Defesa de Lisboa, ou Linhas de Torres, são um conjunto de 152 fortificações que se estendia por cerca de 80 quilómetros, distribuídas entre Torres Vedras e o rio Tejo, e que asseguravam a defesa desde a costa atlântica até ao estuário do rio.
FORTE GRANDE OU DO ALQUEIDÃO

Localizado na Serra de Montagraço, a 439 metros de altitude, começou a ser construído a 4 de Novembro de 1809. Capacidade para uma guarnição de 1590 militares. Número de peças de artilharia: 25. Fica no concelho de Sobral de Monte Agraço, dois quilómetros a Sul da vila.

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