A população da freguesia de Cardosas, em Arruda dos Vinhos, está preocupada com o TGV pelo facto do traçado ir obrigar à demolição de algumas casas e por não saber ainda que solução lhes será apresentada.

“A passagem do TGV vai acarretar dificuldades a muita gente, uma vez que são sete casas, um barracão e algumas garagens [que serão demolidos] e portanto há toda uma questão a resolver”, começou por explicar à Agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Cardosas, Ilídio Fernandes.

A freguesia de Cardosas é uma das afectadas com a passagem da linha de alta velocidade, projecto cuja Avaliação de Impacte Ambiental vai estar em fase de consulta pública até 16 de Janeiro.

Segundo o presidente da Junta de Freguesia, da parte da Rede Ferroviária de Alta Velocidade (RAVE) já veio a garantia que o projecto irá avançar, com as expropriações para 2009 e as necessárias demolições para final de 2010.

Entre a população impera a incerteza em relação ao futuro.

“Como é que eu vou ficar deve estar nos segredos dos Deuses”, diz Carlos Batista, 62 anos e a viver há perto de 20 anos nas Cardosas, na casa que ele próprio ajudou a construir.

Carlos Batista já se mentalizou que o mais certo é a sua casa ser uma das que vai ser totalmente demolida, mas gostava de saber que solução lhe vai ser apresentada porque, como explicou, o assunto indemnizações “nunca foi abordado”.

Horácio Santos, 59 anos, outro habitante de Cardosas que se vê na iminência de ficar sem a casa que construiu com o sogro e onde vive há 30 anos, disse que desde que a família soube, há cerca de dois meses, que a linha do TGV iria atravessar a freguesia, a família nunca mais teve sossego.

“A nossa vida é aqui, o meu sogro não dorme de noite, a minha mulher a mesma coisa. Isto é uma coisa muito complicada”, justifica.

Para Horácio Santos quando as obras avançarem “vai ser o pandemónio”, mas espera que lhe seja dada uma alternativa.

“Isto terá de ser resolvido. Eu quero uma casa igual a esta ou então ser indemnizado com condições para comprar outra casa como esta”, adianta.

“Para estas pessoas não há solução. Talvez haja quando for formalizado o projecto final”, remata o presidente da Junta de Freguesia.

Fonte: http://www.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=54&id=27226&idSeccao=479&Action=noticia

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