– Praça de Toiros: Arruda dos Vinhos
– Data: 16/08/2011
– Empresa: Sociedade Campo Pequeno, S.A. – Tertúlia “A Periquita”
– Ganadarias: Manuel Coimbra (lide a cavalo) e Manuel Veiga (lide a pé)
– Cavaleiros: Luís Rouxinol e João Ribeiro Telles Jr.
– Forcados: Amadores de Vila Franca de Xira e Aposento da Moita
– Matador: António Ferrera
– Assistência: ¾ de casa

Noite para esquecer aquela que se viveu esta Terça-Feira em Arruda dos Vinhos. Uma “mansada” e muito mal apresentada corrida de Manuel Coimbra para cavalo e um matador espanhol que fez de tudo menos tourear deitaram por terra um cartel que até tinha o seu atractivo, transformando a corrida num verdadeiro calvário para os espectadores, onde se contaram pelos dedos das mãos os motivos de interesse.

Abriu praça o consagrado Luís Rouxinol que frente a um “Coimbra” manso de livro, alto, excessivamente “aleonado” e feio de cara, apenas pôde puxar de recursos para dar lide a um toiro que fugia literalmente do cavalo. Andou o cavaleiro extremamente esforçado na brega, expondo ao máximo para alegrar e interessar o cornúpeto, mas de nada serviu e os ferros foram caindo no cachaço do manso sem pena nem glória, numa lide em que apenas se destaca o verdadeiro empenho de Rouxinol em sacar água de um poço completamente seco.

Ás 10:52hrs (!!!) saiu o primeiro para João Telles Júnior, em substituição de um outro, claramente afectado da visão, que o director de corrida entendeu por bem levar uma eternidade a devolver. Novamente um animal com uma cara e hastes inapresentáveis, que teve como principais virtudes a saída a todo o gás e uma codícia e arrancadas intermitentes, de preferência quando sentia poder apertar o cavaleiro junto às tábuas. Talvez por esta característica andou o jovem ginete bastante precavido nas bregas, embora tenha deixado uma boa série de curtos, com especial destaque para o quarto, partindo de curros para o centro e conseguindo uma excelente reunião. Fica a ideia que com um pouco mais de aposta teria conseguido redondear a lide, uma vez que, apesar de difícil, o “Coimbra” não queria (ou podia) comer ninguém. Humilde e talvez reconhecendo que podia ter feito mais, apenas agradeceu no centro da arena.

O quarto da noite, no mesmo estilo dos irmãos de camada, com falta de cara, manso e a cortar caminho nas raras investidas que teve, adiantando-se bastante nas reuniões, desconcertou por completo Luís Rouxinol, que nunca se conseguiu sobrepor às dificuldades do adversário, cravando uma série de ferros à garupa. Agradeceu discretamente junto à porta de cavalos.

Fechou a noite de “cavalaria” João Telles Jr. que mostrou não estar no seu dia: o sobrero era também um toiro pobre de cara, mas mais forte que os restante e ofereceu um par de boas investidas, não aproveitadas pelo cavaleiro, que se empenhou em “quiebros” desajustados, não adequados à lide que o oponente pedia. Fica na retina pela negativa a primeira tentativa no curto inicial, em que o toiro se arrancou de praça a praça e o ginete desperdiçou por completo a bela investida, ao tentar um “quiebro” a destempo e sem sentido.

Noite menos feliz também para os forcados, em muito motivada pelas descompostas investidas dos “Coimbras”, raramente empregando-se no galope e na maior parte dos casos a ensarilhar com a cara muito por baixo. Abriu praça pelo Grupo de Vila Franca, Ricardo Patusco, consumando à segunda uma pega rija nos primeiros dois derrotes, muito bem ajudado por Emanuel Matos. A primeira pega do Aposento da Moita foi efectuada, sem brilho, à terceira tentativa, com o toiro a meter mal a cara na primeira, a despachar o forcado com um derrote lateral na segunda e a deixar-se pegar a choto, com o grupo em bloco, não obstante o forcado não lhe ter alegrado a investida. O segundo dos vila-franquenses foi também pegado ao terceiro intento, por intermédio do jovem Rui Godinho, que não teve hipóteses no primeiro encontro, com o toiro a ensarilhar e parece ter adiantado ligeiramente a perna no segundo, dando sinal ao adversário para o despachar logo pelas canelas. Pegou finalmente com todo o grupo demasiado colado atrás de si, o que levou a que três forcados fossem lançados pelo ar e caíssem de lado do toiro, valendo a decidida e providencial intervenção do terceiro ajuda, Bernardo. Encerraram os homens do Aposento, também à segunda, numa barbela bonita, com o toiro a derrotar alto mas sem despachar e uma excelente primeira ajuda de lado, com o restante grupo a tapar bem a cara toiro do oponente.

De António Ferrera, perdoem-me os numerosos “fans” presentes, mas pouco há a dizer: toureia “a duzentos”, com muita voz pelo meio, em meios passes vertiginosos, raramente correndo a mão e assentando a planta. Aplicou esta fórmula quer ao complicado primeiro, que se virava muito rapidamente, quer ao nobilíssimo segundo, que só queria muleta e iria atrás dela até onde o levassem. Pena é que Ferrera queira sempre levá-los tão perto. Bandarilhou sem brilho e nem este tércio, que costuma praticar com espectacularidade embora nem sempre com verdade, o salvou. Nota positiva para os toiros de Manuel Veiga que, caso raro em Portugal, conseguiram o feito de sair melhor apresentados que os da lide a cavalo, embora também bastante cómodos de cara.

Neste 16 de Agosto arrudense, tragicamente marcado há 9 anos atrás pela perda do grande forcado vilafranquense, Ricardo Silva, a noite voltou a ser de infortúnio, não em termos (felizmente) de lesões, mas sim da qualidade do espectáculo. Espero sinceramente, amigo “Pító”, que do teu lugar de barreira eterno, tenhas decidido não assistir a esta.
O MAIS E O MENOS DA CORRIDA

– O Mais: A corrida decorreu sem intervalo, que para demora já bastava
– O Menos: As cortesias iniciaram-se com 10 minutos de atraso. A lamentável apresentação dos toiros de Manuel Coimbra. A qualidade geral do espectáculo

Fonte: http://bolasetetouradas.blogspot.com/2011/08/muito-pouco-para-contar-arruda-16-de.html