Do total de municípios, 39 (12,6 por cento) tinham valores superiores a 100, numa lista liderada por Lisboa, com 232,5, mais do dobro da média nacional, indica o estudo sobre o poder de compra concelhio, hoje divulgado pelo INE.

A nível nacional, o valor em Portugal Continental é de 100,5, contra os 86,1 dos Açores e 94,7 da Madeira.

O documento aponta para a existência de “uma associação positiva entre o grau de urbanização das unidades territoriais e o poder de compra aí manifestado quotidianamente”.

As regiões de Lisboa (134,2) e do Algarve (100,4) eram as que registavam valores acima do poder de compra per capita médio nacional, enquanto as restantes regiões tinham valores inferiores: Alentejo (88,4), Norte (87,6) e Centro (84,4).

Entre os concelhos com mais poder de compra, 16 tinham um valor superior a 120 e estavam situados nas áreas metropolitanas de Lisboa (Lisboa, Oeiras, Cascais, Montijo, Alcochete, Almada e Loures) e do Porto (Porto, Matosinhos e São João da Madeira)

A estes juntam-se também algumas capitais de distrito (Faro, Coimbra, Aveiro, Funchal), e ainda Porto Santo (Madeira) e Sines.

Por outro lado, 185 concelhos (60% do total) tinham um poder de compra inferior a 75.

O INE revela ainda que existem 12 concelhos com poder de compra abaixo de metade (menos de 50) da média nacional.

Os moradores de Lisboa têm quase cinco vezes mais poder de compra comparativamente aos de Sernancelhe (Viseu), o concelho do país com menor poder de compra por habitante (47,36, menos de metade da média nacional que é 50).

“Dos 12 municípios com menor poder de compra per capita manifestado, 10 pertenciam ao Interior da região Norte, distribuindo-se pelas sub-regiões Tâmega, Douro e Alto Trás-os-Montes, e dois ao Interior da região Centro (Dão-Lafões)”, indica o estudo do INE.

Na região do Tâmega, são os casos de Celorico de Basto (47,73), Cinfães (49,35), Mondim de Basto (49,63), Resende (49,93) e Ribeira de Pena (48,87), enquanto no Douro estão nesta situação, além de Sernancelhe, Armamar (49,49) e Penedono (49,83).

No Alto Trás-os-Montes, Valpaços (49,52) e Vinhais (49,00) têm valores inferiores à média nacional, e ainda Penalva do Castelo (49,69) e Vila Nova de Paiva (49,35), na região Dão-Lafões.

Figueira de Castelo Rodrigo foi o que mais ganhou

Figueira de Castelo Rodrigo é o concelho em que cada residente ganhou mais poder de compra entre 2007 e 2009 e Porto Santo onde mais se perdeu.

O Indicador per Capita (IpC) do poder de compra concelhio de Figueira de Castelo Rodrigo é o que mais cresce entre os dois anos: subiu 13,21 pontos, de 54,8 para 68,01.

Ou seja, apesar de ter o maior salto absoluto continua muito abaixo da média nacional (índice 100).

Depois de Figueira de Castelo Rodrigo, quem mais cresce é Oeiras, que reforça a posição de segundo concelho do país com maior poder de compra por habitante (depois de Lisboa): sobre 12,32 pontos de 172,95 para 185,27.

Ou seja, em 2009, cada habitante de Oeiras tinha quase o triplo do poder de compra de quem reside em Figueira de Castelo Rodrigo.

Nos 10 concelhos em que cada habitante ganhou mais poder de compra de 2007 para 2009, seguem-se Loures (mais 10 pontos), Alter do Chão (mais 9,31), Ferreira do Alentejo (mais 8,61), Porto (mais 8,27), Arruda dos Vinhos (mais 8,06), Machico (mais 8,06), Arronches (mais 6,61) e Vila Velha de Ródão (mais 6,33).

No extremo oposto está Porto Santo, na Região Autónoma da Madeira, onde o IpC caiu 19,68 pontos, de 139,92 para 120,24, permanecendo cada residente na ilha com um poder de compra acima da média nacional.

Ainda entre os 10 concelhos cujo IpC mais desceu estão Albufeira (menos 16,08), Alcochete (menos 12,23), Marinha Grande (menos 10,43), Lagoa (menos 9,82), Vila Franca de Xira (menos 8,88), Vila Viçosa (menos 7,73), São Brás de Alportel (menos 7,34), Entroncamento (menos 7,28) e Lagos (menos 6,75).

A região dos Açores regista a maior subida do Indicador per Capita (IpC) do poder de compra do Instituto Nacional de Estatística (INE) entre 2007 e 2009, enquanto o Algarve tem a maior queda.

As outras duas regiões do Continente cujo IpC desceu são as duas únicas que têm poder de compra acima da média nacional: Lisboa desceu 2,70 para 134,15 pontos e o Algarve teve a maior queda, de 3,25 por cento, ficando nos 100,4 pontos.

Nas regiões NUTS III, a maior variação foi a do Alentejo Litoral, com o poder de compra por habitante a crescer 4,77 pontos (para 95,30 pontos).

Fonte: http://economia.publico.pt/Noticia/ha-39-municipios-em-portugal-com-poder-de-compra-acima-da-media-nacional-1520358