Segundo Joel Serrão, o termo concelho surge em Portugal nos diplomas, por volta do século XIII e deriva da palavra latina concilium, signifcando uma comunidade de extensão variável, cujos moradores usufruem de uma autonomia administrativa.(…)

A data ofcial da fundação do concelho não é conhecida, e a hipótese de que a origem dos concelhos portugueses tenham tido origem nos municípios romanos, tem vindo a ser posta de parte por alguns historiadores. Certo é que, segundo Pinho Leal, em “Portugal Antigo e Moderno”, D. Afonso Henriques concedeu foral a esta vila em 1160, embora esta data tenha sido constestada mais tarde por Alexandre Herculano que defende que o “Castelo de Arruda é doado ás Ordem de Santiago” por D. Afonso Henriques em 1172, como atesta o documento original à guarda da Torre do Tombo. No entanto, esta doação poderá não ter sido efectiva, pois D. Sancho I concedeu a doação em 1186, depois de “reedifcar e povoar a vila”, como também atestam os documentos históricos.

A questão da concessão de Foral e a discodância entre os históriadores é notória, surgindo até a hipotese de concessão de Foral apenas em 1517, tendo até então Foro.

De acordo com fontes e legislação da época, verifca-se que foram necessários cerca de oitenta anos para que o Concelho de Arruda dos Vinhos assumisse a confguração que possui atualmente.

A 13 de janeiro de 1898 por decreto do Rei D. Carlos I, 12 anos antes da Implantação da República, deu-se a restauração do Concelho de Arruda dos Vinhos, tal como se encontra nos dias de hoje, composto pelas freguesias de Arruda dos Vinhos, Arranhó, Cardosas e S. Tiago dos Velhos e tinha cerca de 5500 habitantes.

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Setembro de 1823
O Concelho de Arruda era composto pelas freguesias: Arruda e Cardosas. As freguesias de Arranhó, São Tiago, São Quintino e Sapataria pertenciam ao Concelho de Lisboa.

Novembro de 1836
As freguesias de Arranhó e São Tiago passaram para o Concelho de Arruda. A freguesia de Sapataria passou para o Concelho de Enxara dos Cavaleiros e a de São Quintino para o Concelho de Sobral de Monte Agraço.

Outubro de 1855
São extintos os Concelhos do Sobral de Monte Agraço e Enxara dos Cavaleiros e são integradas no Concelho de Arruda as freguesias de Sapataria, São Quintino e Sobral.

Julho de 1867
É extinto o Concelho de Arruda sendo as suas freguesias integradas noutros Concelhos.
Arruda tendo anexado Arranhó e Cardosas, passa a ser uma única freguesia, fazendo parte do Concelho de Vila Franca de Xira. A freguesia de São Tiago dos Velhos seria anexada juntamente com a freguesia de São João dos Montes à freguesia de Alhandra, que passaria a fazer parte do Concelho de Vila Franca de Xira.

Janeiro de 1868
Foi revogada a reforma administrativa e repostos os Concelhos na sua forma inicial.

Fevereiro de 1887
A sede do Concelho da vila de Arruda era transferida para a Vila do Sobral na sequência da ação de uma Vereação afeta ao Sobral. Tal situação iria originar grandes animosidades entre a população das duas vilas.

Março de 1890
Fruto daquelas rivalidades o Concelho de Arruda era restaurado e composto com as freguesias que possuía à data da sua extinção.

Setembro de 1895
Nova reforma administrativa que extingue os Concelhos do Sobral e de Arruda, em que o primeiro foi anexado ao Concelho de Torres Vedras e o segundo integrado no Concelho de Vila Franca de Xira, com as freguesias de Arranhó, Arruda, Cardosas e São Tiago.

Janeiro de 1898
São restabelecidos defnitivamente os Concelhos de Arruda e do Sobral, ficando o Concelho de Arruda com as freguesias Arruda , Arranhó, Cardosas e São Tiago e o Sobral com as freguesias do Sobral, Sapataria e São Quintino.

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Constata-se que apesar das várias transferências da sede do Concelho, Arruda nunca perdeu o estatuto de freguesia não se tendo verifcado o mesmo com Arranhó, Cardosas e São Tiago, que terão sido várias vezes integradas noutras freguesias.

Fonte: http://www.cm-arruda.pt/Download.aspx?x=f99fb917-b3dd-4890-9039-03b767b558cb