Página 112:
“E foi sobre o itinerário romano Olisipo/Bracara Augusta que se consolidou a estrada medieval que por Sacavém, Alverca, Castanheira e Carregado levava a Alenquer, tida como tendo sido a Ierabriga romana, donde um diverticulum fazia a ligação a Scalabis. Na Idade Média, e mesmo em tempos mais recentes, praticava-se ainda um outro itinerário que, pelo Campo Grande, prosseguia por Bucelas, Arruda dos Vinhos, Cadafais, Carregado e daí a Alenquer.

Segundo muitos relatos, até à segunda metade do século XVIII, altura em que entrou em funcionamento o serviço de mala-posta dedicado ao transporte do correio e de passageiros, quem se deslocava em Portugal fazia-o a pé, no dorso de animais, por via marítima ou fluvial, sendo esta última aquela que, até ao aparecimento do comboio, constituiu o meio de transporte privilegiado por quem pretendia deslocar-se para longe e possuía os recursos para o fazer. Estradas por onde as carruagens circulassem com alguma fluidez, eram um luxo praticamente inexistente.”

Página 115:
“Nesse mesmo ano de 1852, com a estrada Lisboa/Porto macadamizada, pretendeu dar-se início às carreiras de mala-posta ligando as duas maiores cidades do País. Todavia, por circunstâncias várias, o serviço apenas se iniciaria em 1855, mas tão só até Coimbra, chegando as primeiras diligências à «cidade invicta» mais tarde, em 1859.

Este serviço articulava-se com as carreiras fluviais no porto da Vala do Carregado e, a partir de 1856, com o comboio na mesma localidade. A articulação das diligências com o vapor era comum nesta época. Por exemplo, de Vila Franca de Xira partiam carruagens para Alenquer e Arruda dos Vinhos, conforme anúncio publicado no Almanach Familiar para o ano de 1852. Data, também, desta época, reinado de D. Maria II, a construção da ponte da Couraça que à entrada do Carregado atravessa o Rio Grande da Pipa, melhoramento que viria permitir uma mais cómoda e eficiente ligação de Alenquer com o porto fluvial da Vala do Carregado e com a estrada para Lisboa.”

Página 119:
“Noutro capítulo da mesma crónica, lê-se ainda «E foram estas galés pelo rio [Tejo] acima até à ponte da Marinha que é a uma légua do lugar [Alenquer]»24. Este porto da Marinha – actual Meirinha, hoje um pouco distante do Tejo em virtude do assoreamento do esteiro – é conhecido, e foi seguramente, um dos portos fluviais do termo da vila.

Confirmando a sua importância à época, João Pedro Ferro várias vezes se lhe refere quando descreve os diversos caminhos que confluíam nesse ponto, como por exemplo «…um caminho velho ligando Azambuja a uma tal Marinha», ou a «estrada dos Cadafais para a Marinha, que distava 66 varas do rio que vinha da Arruda».”

Fonte: http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/3559/3/ulfl082022_16_tm_acessibilidades.pdf