Os casos de jovens com comportamentos desviantes devido à falta de cuidados parentais estão a aumentar em Arruda dos Vinhos, alertou a presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) do concelho.

Liseta Oliveira disse à agência Lusa que o tipo de casos que chegam à CPCJ está a mudar, sendo “preocupante” o número cada vez maior de jovens, entre os 15 e os 18 anos, com comportamentos desviantes dentro e fora da escola.

A CPCJ de Arruda dos Vinhos inaugura hoje novas instalações numa cerimónia presidida por Armando Leandro, presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens.

Segundo a responsável, existem 21 processos abertos no concelho, um número considerado “significativo”.

Em 2012, a CPCJ teve 84 processos, 50 dos quais foram novos e 38 transitaram de 2011.

A presidente da CPCJ aponta como razões para os casos de jovens com comportamentos desviantes e do abandono escolar a “ausência de comportamentos parentais” – uma vez que a maioria dos dois progenitores trabalha -, negligência da família ou problemas de violência doméstica.

A responsável alertou para a falta de respostas sociais no concelho, nomeadamente actividades de tempos livres após as aulas, para ocupação dos jovens, de modo a prevenir estes casos.

Para combater o abandono escolar, com o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano, o Externato João Alberto Faria criou um pólo de formação profissional.

A CPCJ espera aumentar este ano o número de processos, devido à crise económica, ao defender que “o acesso à educação, à saúde e à higiene está comprometido”.

Com as novas instalações, localizadas no rés-do-chão do terminal rodoviário da vila, a CPCJ considera que vai passar a ter maior visibilidade, estando na expectativa de poder vir a ser mais procurada por quem possa alertar para eventuais novos casos.

Fonte: http://www.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=54&id=59665&idSeccao=479&Action=noticia#.UX4-oqLvvaI