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A DIA, a que a Agência Lusa teve acesso, foi emitida, ainda que condicionada, ao parecer favorável da Reserva Agrícola Nacional e a um plano de intervenção paisagística, destinado a salvaguardar e repor toda a vegetação na área a ser intervencionada, e de melhoria dos habitats.

O projeto de regularização está previsto para o troço entre o Carregado, concelho de Alenquer e Castanheira do Ribatejo (Vila Franca de Xira) e destina-se a «minimizar a probabilidade de ocorrência das cheias», referia o estudo de impacto ambiental.

A intervenção é uma das previstas no âmbito do projeto de construção da Plataforma Logística de Castanheira do Ribatejo, um investimento de 370 milhões de euros do grupo espanhol Abertis.

A construção da plataforma vai implicar, entre outros trabalhos, movimentações de terras do 1,6 milhões de metros cúbicos, a regularização de três linhas de água e a reparação e beneficiação dos órgãos de proteção do dique direito do Rio Tejo.

A DIA estabelece ainda como condicionantes a existência de planos de monitorização da fauna e flora, a construção de estruturas para dar continuidade à pesca recreativa na zona e a relocalização de uma unidade de restauração acompanhada de medidas de compensação.

O documento propõe medidas de minimização e compensação dos impactos causados pelas obras, tais como a redução ao mínimo da deslocação de máquinas e das ações de desmatação e de movimentos de terra, assim como a recuperação paisagística na área intervencionada para evitar a erosão futura.

A DIA sugere também que a câmara de Vila Franca de Xira avance com a demolição de edificações ilegais e que tome medidas no sentido de contrariar a expansão urbanística junto às margens do Rio Grande da Pipa.

O leito do rio «vai ser mantido», estando prevista a colocação de pedras nas suas margens para servir de taludes, protegendo-as da erosão.

A ponte rodoviária, entre o Carregado e a Vala do Carregado, vai ser demolida e construída uma nova, sem a colocação de pilares de suporte dentro do rio para impedir a acumulação de lixo que possa impedir a normal circulação do caudal do rio em situações de maior precipitação.

A «irregularidade das margens» do rio, provocada pela erosão, e a existência de «pilares de viadutos» são as causas apontadas para as constantes inundações na região abrangida pela Bacia Hidrográfica do Tejo.

Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=114&id_news=439272&page=0

Anta da Arruda

Anta da Arruda
Distrito: Lisboa. Concelho: Arruda dos Vinhos. Freguesia: Arruda dos Vinhos. CMP: 390. Relevo: Chã aplanada. Altimetria: 100 m. Hidrografia: Rio Grande da Pipa. Geologia: Complexo argilo-margoso («camada da Abadia»).

Caracterização da ocupação: Monumento megalítico com câmara trapezoidal alongada, de forma que parece tratar-se de um monumento de câmara e corredor indiferenciado em planta. A câmara abre para nascente.

Comprimento máximo de 10 m com uma largura máxima de 5 m, do qual restam ainda doze esteios ao tempo dos Leisner. Todos os esteios são de grés micáceo ou de cimento calcário do Jurássico. Orientada a Este, foi implantada numa chã aplanada acima da cota 100, dominando o vale do Rio Grande da Pipa, a SW. Existiam dois monumentos megalíticos no local, o maior é o que está mais a Este.
O mais pequeno teria sido destruído pelos trabalhos de florestação. A Anta maior foi destruída há cerca de 25 anos, existia no Casal das Antas e foi escavada por J. L. Vasconcelos, em 28 e 29 de Outubro de 1898. Cronologia: Neo/Calcolítico. Bibliografia: Leisner, 1965, p. 17-8; Spindler, 1981, p. 224, 254; Simões, 1994; Gonçalves, 1995c. Natureza da informação: Bibliografia. Perspectiva global dos materiais arqueológicos: Segundo Vasconcelos (apud Gonçalves, 1995c): 2 lâminas de sílex; 2 punhais de sílex; núcleo de cristal de rocha; 1 conta de colar de pedra verde; 4 fragmentos de cilindros calcários; 1 fragmento de placa de xisto decorada; 1 machado de diorite; 2 instrumentos feitos de diorite;1 instrumento; 1 goiva, talvez, de xisto; diversas lascas de sílex e duas lascas de diorite; fragmentos de uma mó ou amolador de calcário; um calhau rolado; 2 fragmentos de cerâmica (um dos quais com decoração); ossos humanos;ossos animais.

Fonte: ???

Com o objectivo de minimizar eventuais impactes negativos realizaram-se trabalhos de escavação arqueológica enquadrados no projecto da “A10 – Auto-Estrada Bucelas/Carregado (A1) / A13 (IC3), Viaduto Sobre a Ribeira da Laje e Rio Grande da Pipa” concretamente no Pilar 12E, ao km8+460. Durante a fase de acompanhamento arqueológico foram detectados materiais arqueológicos e sedimentos enrubescidos que apontavam para a existência de uma estrutura – forno.
A este sítio localizado no concelho e freguesia de Arruda dos Vinhos, na margem esquerda do Rio Grande da Pipa foi atribuído o nome de Forno da Pipa.

A intervenção arqueológica decorreu entre o dia 25 de Maio e 1 de Junho de 2005.

Os trabalhos procuraram avaliar o valor patrimonial e científico do arqueosítio, determinar a existência e grau de conservação de contextos estratigráficos e de estruturas conservadas in situ.

A escavação permitiu identificar a câmara de aquecimento e parte do praefurnium de um forno de pequenas dimensões, com planta elíptica e cronologia que aponta para a época romana. Do laboratorium ou câmara de cozedura, sua cúpula e grelha pouco resta, no entanto as restantes áreas que compunham a estrutura encontram-se relativamente bem conservadas.

Após a escavação arqueológica do total da área conservada realizou-se o desmonte manual do forno, iniciando-se pelos arcos e prosseguindo de forma gradual, afim de reservar um corte transversal da estrutura, para obter uma visão mais precisa da forma de construção da câmara interior do forno, obtendo-se algumas informações complementares, acerca do método de construção. O desmonte manual, foi necessário uma vez que a afectação directa provocada pelo projecto em causa, destruiria por completo a estrutura.

Fonte: http://www.crivarque.com/pzoom.php?identif=94

A Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer (ALAMBI) e a Associação de Defesa do Ambiente e do Património do Concelho de Vila Franca de Xira (ADAPA) emitiram um comunicado conjunto com o título “Rio Grande da Pipa: uma barragem para quê?”, datado de 9 de Fevereiro, onde contestam a eventual construção de uma grande barragem no Rio Grande da Pipa, na zona de confluência dos concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos e Vila Franca de Xira.

Transcrevemos em seguida o comunicado, na íntegra, das duas associações ambientalistas.

“Recentemente a comunicação social regional e nacional, fez eco de uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal de arruda dos Vinhos, onde foi apresentado e debatido o ante-projecto de construção de uma Barragem no Rio Grande da Pipa, na zona de confluência dos concelhos de Alenquer, arruda dos Vinhos e Vila Franca de Xira. Este empreendimento foi apresentado como a “maior albufeira do distrito de Lisboa”, orçada em 6 milhões de euros e já aprovada pelo Ministro da Agricultura.

Nesta reunião foi pela primeira vez assumido que para além do aproveitamento hidroagrícola, que prevê a introdução de culturas de regadio como o milho ou a beterraba, existem também interesses turísticos associados ao projecto. A conclusão da barragem que inundará 42 hectares, foi apontada para “final de 2006 princípio de 2007”.

Recentemente, um relatório da organização internacional WWF, indicava Portugal como um dos países da Europa que pior gere a utilização da água dos rios, em especial na agricultura e no turismo. Este documento refere ainda que o nosso país demonstra “falta de estratégia e coordenação, pouca transparência e envolvimento do público, e não reconhece o valor das zonas húmidas” e aponta o uso desmesurado da água para a produção agrícola como uma das maiores lacunas verificadas em Portugal onde os agricultores “não pagam a quantidade da água utilizada”.

As organizações locais de ambiente não foram, até ao momento informadas ou auscultadas sobre este assunto, mas as notícias veiculadas não deixam de levantar algumas questões e preocupações a quem defende a sustentabilidade do desenvolvimento. Assim:

Foram os agricultores que se mostraram interessados em aderir ao regadio, claramente informados sobre o custo que terão que pagar pela água, à luz das regras da Directiva-quadro da Água aprovada em 2000? Como se justifica então a intervenção de um deputado municipal invocando a necessidade da água para o regadio ser barata? Ou será que tal como parece acontecer no Alqueva, o golfe vai ser o único regadio com rentabilidade para pagar a água que utiliza?

Está garantida a qualidade da água da albufeira quando hoje muitos dos esgotos da região são despejados sem tratamento nas ribeiras que afluem ao Rio Grande da Pipa?

Estão claramente identificados os impactes das alterações introduzidas pela barragem na cultura da vinha? Como é possível afirmar, como foi feito na sessão da Assembleia Municipal pelo presidente da cooperativa agrícola de arruda, que se desconhece qualquer estudo sobre o impacte das alterações climáticas induzidas pela barragem, mas “os efeitos positivos serão sempre superiores aos negativos”. Com tantas certezas, para que servem então os estudos de impacte ambiental?

Existem estudos claros sobre a aptidão dos solos abrangidos para a cultura de regadio? Tem a União Europeia, a quem se vão solicitar financiamentos para este projecto “hidroagrícola”, conhecimento de que vai ser feito um enorme investimento económico e ambiental para irrigar solos de menor aptidão, enquanto 5 km a jusante, na margem norte do Tejo entre Vila Franca e Azambuja, solos “Classe A” estão a ver o seu uso alterado para a instalação massiva de indústrias e armazéns logísticos?

Foram ouvidas as direcções regionais de agricultura sobre o interesse do projecto, ou todas as decisões se tomaram apenas ao nível político?

Com a discussão já centrada nas estradas e acessibilidades mais do que na organização do sistema de regadio, não será que os principais interesses da construção da barragem são o turismo e o imobiliário? Será então justo usar fundos comunitários destinados ao apoio à agricultura portuguesa? Será importante construir uma barragem para actividades náuticas a menos de uma dezena de km da zona ribeirinha do estuário do Tejo?

Será correcto argumentar com o controle de cheias, enquanto se continua a deixar construir no leito de cheia do Rio Grande da Pipa?

É pois importante para as organizações locais de Ambiente, perceber com clareza para quê e a quem vai servir a barragem planeada para o Rio Grande da Pipa. A real necessidade e a viabilidade ambiental do projecto, são essenciais para a sustentabilidade do desenvolvimento da região”.

Fonte: http://www.tintafresca.net/News/newsdetail.aspx?news=4626bbca-5fef-438a-9867-8b856f7f2b1f&q=arruda