Archive for Fevereiro, 2008


Pelourinho de Arruda

“Em Portugal, os pelourinhos são todos no interior das vilas e cidades, e quase sempre diante da casa da câmara; ao contrário da forca, que estava fora da povoação, e em lugar alto para que pudesse ser vista e aterrar os malfeitores.
No antigo livro das fortalezas, que está na Torre do Tombo, feito por Duarte d’Armas, pintor del-rei D. Manuel, há muitos pelourinhos. Os de Sabugal, Castelo de Mendo, de Mogadoiro e Penaroia, têm a mesma forma dos pelourinhos franceses, o que para mim foi novidade. Todos eles têm gaiola ou guaritas para a exposição dos criminosos. Todos os que tenho visto constam de uma coluna, donde saem quatro ganchos de ferro, tendo na extremidade uma argola e uma cadeia; em cima, uma coroa ou um capitel. O de Coimbra termina em cutelo. A gaiola do da Arruda é quadrada. O pelourinho da Batalha é mui bem lavrado, assim como o de Cintra e de Alverca.

A palavra picota significa, em linguagem judicial e municipal, o sítio onde se expunham os criminosos, e se lhes infligiam as penas impostas pelas autoridades locais. Na Ordenação Alfonsina, livro I, título 28, mandava-se que os padeiros, carniceiros, regateiras etc., que furtassem no peso, fossem postos na picota. Uma postura da câmara de Vizeu, de 1304, manda que todo carniceiro, padeiro etc., que tiver pesos falsos, pague cinco soldos, e “ponham-no na picota”.

Os pelourinhos servem hoje para afixar os editais municipais e judiciais, os anúncios fiscais etc.

Em 1833, à imitação do que se fez em França, no tempo da Revolução, arrancaram-se os ganchos de alguns pelourinhos, para apagar a lembrança do préstimo que tinham tido.

Hoje, os pelourinhos apenas são o emblema da jurisdição municipal”

Fonte: http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0060.htm

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Forte do Passo

N.o 19 | Forte do Passo
Distrito: Lisboa. Concelho: Arruda dos Vinhos. Freguesia: Arranhó. CMP: 389. Latitude: 90 07’ 00’’. Longitude: 380 59’ 49’’. Relevo: Elevação debruçada sobre a ribeira. Campo visual restringido pelas elevações em redor. É um ponto destacado na paisagem, com escarpa acessível a sul. Altimetria: 286 m. Hidrografia: Ribeira de Monfalim, afluentedo Rio Grande da Pipa. Geologia: calcário («Camadas Corálicas de Amaral»). Caracterização da ocupação: Povoado. Cronologia: Calcolítico. Bibliografia: Gonçalves, 1995. Natureza da informação: Bibliografia. Perspectiva global dos materiais arqueológicos: lâminas de sílex; cerâmica decorada tipo «folha de acácia»; vaso campaniforme; punção metálico.

 Fonte: ???

Anta da Arruda
Distrito: Lisboa. Concelho: Arruda dos Vinhos. Freguesia: Arruda dos Vinhos. CMP: 390. Relevo: Chã aplanada. Altimetria: 100 m. Hidrografia: Rio Grande da Pipa. Geologia: Complexo argilo-margoso («camada da Abadia»).

Caracterização da ocupação: Monumento megalítico com câmara trapezoidal alongada, de forma que parece tratar-se de um monumento de câmara e corredor indiferenciado em planta. A câmara abre para nascente.

Comprimento máximo de 10 m com uma largura máxima de 5 m, do qual restam ainda doze esteios ao tempo dos Leisner. Todos os esteios são de grés micáceo ou de cimento calcário do Jurássico. Orientada a Este, foi implantada numa chã aplanada acima da cota 100, dominando o vale do Rio Grande da Pipa, a SW. Existiam dois monumentos megalíticos no local, o maior é o que está mais a Este.
O mais pequeno teria sido destruído pelos trabalhos de florestação. A Anta maior foi destruída há cerca de 25 anos, existia no Casal das Antas e foi escavada por J. L. Vasconcelos, em 28 e 29 de Outubro de 1898. Cronologia: Neo/Calcolítico. Bibliografia: Leisner, 1965, p. 17-8; Spindler, 1981, p. 224, 254; Simões, 1994; Gonçalves, 1995c. Natureza da informação: Bibliografia. Perspectiva global dos materiais arqueológicos: Segundo Vasconcelos (apud Gonçalves, 1995c): 2 lâminas de sílex; 2 punhais de sílex; núcleo de cristal de rocha; 1 conta de colar de pedra verde; 4 fragmentos de cilindros calcários; 1 fragmento de placa de xisto decorada; 1 machado de diorite; 2 instrumentos feitos de diorite;1 instrumento; 1 goiva, talvez, de xisto; diversas lascas de sílex e duas lascas de diorite; fragmentos de uma mó ou amolador de calcário; um calhau rolado; 2 fragmentos de cerâmica (um dos quais com decoração); ossos humanos;ossos animais.

Fonte: ???

«Estende-se a zona de guerra portuguesa do Mondego para o sul e, nela, balisam sua pri¬meira linha de resistência os castelos de Leiria, Ourem, Cera, Seia e Celorico, o terceiro dos quais hoje destruido, duas léguas ao norte da actual Tomar. A frente, como postos destacados de vigilância estratégica, parece erguerem-se já sobre o Tejo Médio, num sector de 10 quilómetros, os três pequenos castelos de Cardiga (senão, talvez na Atalaia), de Almourol e de Zezere, este ultimo, a cavaleiro da foz do mesmo rio e em frente do local onde depois se levantará Cons¬tância. Figuram esses castelos saliente agudo da cobertura estratégica de Afonso Henriques, apontando sobre o Alentejo. Facto interessante ê incluir este saliente dois vaus do Tejo, um, a leste, o da Praia, outro a oeste, o da Barquinha. Separado do primeiro pelo pego do Almou¬rol, comunica o segundo com o mouchão entre o Tejo e a estreita vala do Tejo Velho, vinda do Arrepiado. Desempenha, por seu turno, ao Norte, o Baixo Mondego natural missão de base de operações. Desta descem, para o front da época, duas linhas de comunicações apoiadas em luga¬res fortes e isoladas, uma da outra, de Condeixa para o Sul, por extensa cadeia montanhosa: a leste, a de Coimbra — Alfafar (l.a étape da expedição a Santarém em 1147) — Chão de Ourique (a 5 quilómetros de Penela — Ladeira — Ceras (a l quilómetro de Alviubeira — Alfeigedoe (Assei-ceira (?), direita ao Tejo Médio, evidente frente ofensiva; a oeste, por Coimbra — Alfarelos, (no limite sul da várzea do Mondego, conhecida por Campo de Ourique)—Vila Nova deAncos—Soure — Pombal, terminando em Leiria, próximo do Campo de Ourique das Cortes e centro provável da frente defensiva. Entre as duas frentes, como posto de ligação, está Ourem, a iguais distancias de Leiria e Cera. Visto de relance, o esquema estratégico português, observemos agora o sis¬tema defensivo mouro na peninsula entre o Tejo e o mar: duas linhas de fortalezas cobrem Lisboa: a primeira Santarém — Óbidos, tendo á frente em postos destacados Torres Novas, e, segundo cremos, Alfeihirão, a segunda — Alenquer — Torres Vedras, com Arruda e Sintra á rectanguarda ».

Fonte: REVISTA  DE ESTUDOS  HISTÓRICOS, 1928(?), Página 112